Possuído!

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À Pouco tempo fui convidado por um conhecido chamado  Juarez ( os nomes são fictícios ) a irmos até uma casa onde a mãe de um garoto alegava que o mesmo era possuído pelo demônio, a coisa havia começado a alguns meses. Ele, Juarez evangélico de carteirinha, daqueles que não tem ao menos televisão em sua casa para que não seja “contaminado” por essa invenção “destrutível”, queria mostrar-me o que o diabo era capaz de fazer na vida das pessoas. Havia encontrado o Juarez na casa de um amigo, cuja esposa era também evangélica e vinha orando arduamente para a conversão do marido, orações que até o momento não vinha dando muito certo, alias não vinha dando certo em nada. Meu recente conhecido ficou pasmo ao saber que eu não acreditava em nada do sobrenatural, reações já acostumadas por mim quando religiosos não entendem de alguns não crerem no mesmo que eles. Procuro em um grupo de pessoas não ficar alardeando minhas crenças, no entanto algumas pessoas para “ver o circo pegar fogo”, atiçam a faísca, porque ser anti-religioso fanático é tão chato quanto o oposto. Porem entre umas investidas e outras as pessoas acabam por perceber, e nada é mais desafiador para um crente, procurar converter alguém, e seu maior desafio naquele momento era eu.

As pessoas não aceitam o não religioso, para eles é imoral, um verdadeiro absurdo, motivo de enviar a uma penitenciária, e lá pagar por seus crimes por longos anos.

Diante de seu convite dias após nosso primeiro encontro, não perdi tempo, vamos conhecer esse ‘cara’, e ele dizendo que eu brincava com coisas sérias. Como estava com uma tarde de final de semana sem muitas coisas importantes para fazer lá fomos nós, passou em minha casa para nosso destino final, conhecer o monstro das trevas.

Ao chegar à residência do menino, um garoto de aproximadamente 12 anos, encontravam-se todos em uma sala, a mãe do garoto, uma senhora e o garoto no sofá, não demorei muito em perceber que o Juarez já era um conhecido da casa. Em nada ele falou o porquê de minha presença, fez ele algumas orações sobre as quais o garoto rosnava, babava, nada muito alardeante porem perceptível e me sensibilizei com sua situação, onde após alguns instantes nos despedimos e fomos embora. Logo ao sairmos meu parceiro de exorcismo não demorou muito a me apontar como eu podia verificar o garoto estava possuído e o que eu achava? Nada do que dissesse naquele momento faria esse soldado da paz celestial mudar de posição, motivo que me calei. Chegando próxima a minha residencia lançei a ele um desafio, como ele acreditava que podia “curar” o garoto, segundo ele todos em sua congregação estavam orando pelo menino, e acreditavam que em pouco tempo o mesmo estaria totalmente curado. Pedi para que me deixasse levar o garoto a um médico no inicio da semana, pedido esse que sarcasticamente foi me informando que já havia levado a “todos”, algumas pessoas são assim, dois ou três, são todos, insisti para que deixasse levá-lo a um amigo meu, onde eu arcaria com os custos do tratamento, já que esse médico e eu, havíamos ajudado a várias pessoas sem ônus adicional. Disse-me que falaria com a mãe e me retornaria, retorno esse que ocorreu logo no início da semana seguinte.

Diagnóstico: ( Linguagem leiga ) Distúrbio mental temporário pela perda de algo. O algo seria a casa que a mãe estava perdendo por falta de pagamento, e o garoto sentia-se impotente em poder ajudá-la.

Enfim, fizemos uma campanha através de alguns amigos em conjunto com sua igreja, arrecadamos o valor necessário, e o garoto esta 90% restabelecido.

Contei essa história real para que algumas pessoas entendam um pouco mais sobre a natureza humana, antes de julgarem e atribuírem fatos a coisas imagináveis. E agradecer a todos que colaboraram com a campanha.

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2 Respostas to “Possuído!”

  1. Leandro Says:

    A fé é algo estranho, as pessoas acreditam, mas quando ficam doentes correm para os medicos. Confesso que já fiquei sabendo de casos parecidos.

  2. Rafael Fernandes Says:

    Perfeitamente.
    O papel da religião nos últimos tempos tem sido incutir nas mentes o “medo do mal” e linhas de pensamento totalmente medievais, como a punição severa ou o temor pelo inferno, por exemplo.
    Leandro, às vezes isto também não figura como regra, porquanto muitos morrem em casa mesmo por se recusar a ir em um médico ou a um hospital. Simplesmente, esta pessoa acredita fielmente que seu “deus” irá salvá-la. Aí já viu, não é? Se sobreviveu, foi milagre de “deus”; se morreu, foi vontade de “deus”.
    O erro de muitos é esquecer que a natureza humana também tem suas exceções e suas vontades: início, desenvolvimento e fim. Esta é a regra natural. Nem uma infinidade de deuses dará conta de mudá-la.

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