Jesus Cristo: um personagem real ou imaginário? (Final)

By kibom33

Durante alguns anos eu pensava que as pequenas diferenças existentes nas passagens comuns dos quatro evangelhos diminuíam sua credibilidade. Com o decorrer da minha análise, compreendi que essas diferenças também eram importantes para atestar a existência de Cristo. Compreendi que as suas biografias não procuravam ser cópias umas das outras. Eram resultado da investigação de diferentes autores em diferentes épocas sobre alguém que possuía uma história real.
Todos os evangelhos relatam Pedro negando Cristo. Porém, quando Pedro o negou pela terceira vez, somente Lucas em seu evangelho comenta que Jesus, naquele momento, voltou-se para Pedro e o olhou fixamente (Lucas 22:61). As diferenças de relatos nos quatros evangelhos, ao contrário do que muitos podem pensar, não depõem contra a história de Cristo, mas sustentam a sua credibilidade. Vejamos:
Lucas era médico e, como tal, aprendeu a investigar os fatos detalhadamente. Tinha um “olho clínico” acurado, devia detectar fatos que ninguém observava ou valorizava.

Quando, muitos anos após a morte de Cristo, interrogou Pedro e colheu os detalhes daquela cena, captou um gesto de Jesus que passou despercebido aos outros autores dos evangelhos. Percebeu que Cristo, mesmo sendo espancado e injuriado, ainda assim esqueceu-se da sua dor e se preocupou com Pedro. Este comentou com Lucas que, no instante em que ele o negava pela terceira vez, Jesus virou-se para ele e o fitou profundamente.
Quem é capaz de se preocupar com a dor dos outros no ápice da própria dor? Se muitas vezes queremos que o mundo gravite em torno de nossas necessidades quando estamos emocionalmente tranqüilos, imagine quando estamos sofrendo, ameaçados, desesperados.
Pedro talvez só tenha tido a compreensão plena da dimensão desse olhar trinta anos após a morte de Cristo, ou seja, depois que Lucas, com seu olho clínico, investigou a história do próprio Pedro, vislumbrou aquela cena e a descreveu no ano 60 D.C., data provável em que ele escreveu o seu evangelho.
O evangelho de Lucas é um documento histórico bem pesquisado e detalhista. Ele consultou testemunhas oculares, selecionou as informações e as organizou de maneira adequada. Como médico, tinha interesse incomum por retratar assuntos da medicina (Lucas 1:1-2). Deu muita atenção aos acontecimentos referentes ao nascimento de Cristo. Investigou Isabel e Maria, por isso foi o único que descreveu seus cânticos, bem como os pensamentos íntimos de Maria. Lucas demonstrou um interesse particular pela história das pessoas, por isso retratou Zaqueu, o bom samaritano, o ex-leproso agradecido, o publicano arrempendido e nos conta a parábola do filho pródigo. Lucas era um investigador minucioso que captou particularidades de Cristo. Percebeu que até seu olhar tinha grande significado intelectual.
Como disse, os demais autores dos evangelhos não vislumbram esse olhar de Cristo, por isso não o registraram. Essas diferenças em suas biografias atestam que elas eram fruto de um processo de investigação realizado por diferentes autores que enfocaram diversos aspectos históricos. Os evangelhos são quatro biografias “incompletas”, produzidas, em tempos diferentes, por pessoas que foram cativadas pela história de Jesus Cristo.
Essas biografias têm coerência, sofisticação intelectual, pensamentos ousados, idéias complexas. São sintéticas, econômicas, não primam pela ostentação nem pelo elogio particular.
Cristo, em alguns momentos, revelava claramente seus pensamentos, mas em seguida se ocultava nas entrelinhas das suas reações e das suas parábolas, o que o tornava difícil de ser compreendido. Ele se revelava e se ocultava continuamente. Por que tinha tal comportamento? Sua história nos mostra que não era somente porque não procurava o brilho social, mas porque tinha um propósito: queria produzir uma revolução no interior do ser humano, uma revolução transformadora, difícil de ser analisada. Queria produzir uma mudança nas entranhas do espírito e da mente humana capaz de gerar tolerância, humildade, justiça, solidariedade, contemplação do belo, cooperação mútua, consideração pela angústia do outro.
Seu comportamento, revelando-se e ocultando-se continuamente, também objetivava provocar a inteligência das pessoas com as quais conviviam e até da presente época. Ele deseja romper a ditadura do preconceito e o cárcere intelectual das pessoas. Ninguém foi tão longe em querer implodir os alicerces da rigidez intelectual e procurar transformar a humanidade.
Que Deus continue abençoando a vocês e suas famílias.
Um abraço.
Kleber Ramírez
Obs.: Obrigado ao KIBOM33, por permitir publicar esta matéria.

10 Respostas para “Jesus Cristo: um personagem real ou imaginário? (Final)”

  1. kibom33 Disse:

    Agora sim irei ler e interpretar toda sua matéria e efetuar comentários a respeito, me aguarde.

  2. kibom33 Disse:

    Kleber

    Tomamos a liberdade em adicionar ( com todo respeito ) em seu avatar um simbolo cristão.

    Se não gostar basta entrar em:

    http://en.gravatar.com/emails

    Podendo exclui-lo, ou altera-lo com a senha que recebeu em seu e-mail.

    Qualquer dúvida fale conosco.

  3. kibom33 Disse:

    infelizmente alguns comentários mesmos fora da lista span estão entrando na lista de moderação, inclusive o meu entrou.

    Se ocorrer novamente aguardem que irei procurar resolver.

  4. Ivo S.G. Reis Disse:

    Kibom33:

    Agora eu pirei. Não entendi nada!

    Fiz um comentário a este artigo lá atrás, pensando que ele tivesse sido escrito por você e até estranhei o seu posicionamento.

    Agora, na conclusão da matéria, vejo que foi o Kleber Ramirez que esceveu?!… O que aconteceu? Quem escreveu o artigo, afinal? Teria ele sido escrito a 4 mãos, você e o Kleber juntinhos?

    Explique-me, por favor, porque no artigo ao qual fiz comentário constava “by Kibom33″, como neste. Só que quem assina ao final é o Kleber. Quem é o autor, afinal?

    Abraços a você e ao Kleber! Tenho notado a falta de vocês. Agora o meu blog já voltou ao normal e as instabilidades acabaram. Passem por lá!

  5. KLEBER RAMÍREZ Disse:

    Olá, Sr. Ivo Reis.
    Estes comentários são de minha autoria. Solicitei ao Sr. KIBOM33, na Parte 1 deste comentário, que o publicase no cabeçalho para que ficasse mais acessível para quem o acessasse.
    Quero também agradecer ao Sr. KIBOM33, a gentileza de ter atendido ao meu pedido. Que Deus continue abençoando a Vocês e suas famílias.
    Um Abraço
    Kleber Ramírez

  6. Ivo S.G. Reis Disse:

    Olá, Kleber. É um prazer revê-lo.

    Consegui descobrir você, o Kibom33 e o Ivan Carlos aqui neste blog que defino como co-irmão, o irmão caçula. Muito bonita a sua atitude e a do Kibom33, bem como a do Ivan Carlos. Vocês são opositores que se amam e é extremamente gratificante ver que são todos esclarecidos pois, apesar das divergências que mantêm, ficaram amigos e continuam os debates em alto nível. Você, Kleber, é o nosso crente mais esclarecido e mais simpático. Pena que um pouco teimoso, “duro na queda”, mas é bom que seja assim, senão não teria graça.

    Coloquei ontem em meu blog um artigo sobre a personalidade dos ateus e as mentiras e verdades sobre eles. Passe por lá e dê a sua opinião. O blog já está normalizado e totalmente reformulado.

    Por um momento, pensei que você tinha vencido a batalha de idéias contra o Kibom33. Agora, tudo está esclarecido.

  7. kibom33 Disse:

    Ola Ivo!

    É um prazer receber sua visita, vários pontos devem ser esclarecidos a você:

    1 – Devido aos longos comentários do Kleber o mesmo nos solicitou um espaço para postar e nos enviou um e-mail, o qual transcrevemos aqui, onde em seguida faríamos comentários a respeito, o que ainda não ocorreu devido ao meu tempo momentaneamente curto.

    2 – Não vinha mais conseguindo acessar o DDD, até havíamos efetuado um acordo entre eu e o Ivan que não deixaríamos de participar do seu blog, mas estou indo lá hoje.

    3 – Quanto a sua sugestão sobre repartir páginas, fineza me enviar via e-mail as fases que ficarei muito grato.

    Lembre-se! Você foi e sempre será nosso motivador.

    Um forte abraço!

  8. KLEBER RAMÍREZ Disse:

    Olá, Sr. Ivo Reis, Kibom33 e IOvan Carlos.
    Passarei no DDD e se for necessário colocarei meu comentário.
    Quanto a vocês ateus, não os tenho por inimigo.
    Toda opinião deve ser respeitada, se eu não concordo, não tem problema, mas devemos amar as pessoas.
    A vida não teria sentido se não houvesse o amor, como está escrito em I corítios 13…”O amor tudo suporta…”
    Aprendi com o Senhor Jesus sobre estas coisas. Afinal ele não conseguiu agradar a todos, mas recebí dele todo o entendimento sobre o amor as pessoas.
    Estou indo a igreja com a famália, depois retornarei ao site.
    Que Deus continue abençoando vocês.
    Um abraço.
    Kleber Ramírez

  9. ivancarlos Disse:

    Olá, Ivo

    A sua ilustre visita aqui no “caçula”, nos alegra e motiva para melhorarmos cada vez mais.
    O parceiro Kibom, tirou um tempo para ele, conforme você já sabe. E, eu também, estou trabalhando um pouco a mais que o normal. Mas, por esses dias, tudo volta a ser como antes. Até então, vinhamos mantendo uma média de um e até dois posts diários, acredito que retomaremos em breve esse ritmo.
    Contamos com seus preciosos comentários e sua experiente colaboração.

    Estou indo lá, participar daquele belo debate no DDD.

    Abraços.

  10. ivancarlos Disse:

    Kleber, tudo bem?

    Não comentasse mais nada por aqui, “jogasse a toalha”?

    E continua confundindo os conceitos, não é Kleber? Mas tudo bem, eu repito o que já havia escrito em outro comentário: agnosticismo e ateísmo não são a mesma coisa. A única coisa que têem em comum é que os seguidores de ambos os conceitos não “vão à igreja nenhuma”.

    Abraços.

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