Jesus Cristo: um personagem real ou imaginário? (Parte 2)

By kibom33

Se estudarmos as intenções conscientes e inconscientes dos autores dos evangelhos, constataremos que eles não tinham a intenção de fundar uma filosofia de vida, de promover um herói político, de construir um líder religioso, nem de criar um homem diante do qual o mundo deveria se curvar. Eles queriam apenas descrever uma pessoa incomum que mudou completamente suas vidas. Queriam registrar fatos, mesmos que incompreensíveis e estranhos aos leitores, que seu mestre viveu, seus discursos e pensamentos. Se nos aprofundamos nos meandros dos pensamentos descritos nos evangelhos, constataremos que há diversos fatores que evidenciam que Cristo tinha uma personalidade inusitada, distinta, ímpar, imprevisível.


Dois autores dos evangelhos eram discípulos íntimos de Cristo (Mateus e João). O evangelho de Marcos foi escrito baseado provavelmente nos relatos de Pedro: Marcos era tão íntimo de Pedro que foi considerado por ele como um filho (I Pedro 5:13). Então concluímos que três desses autores tiveram uma relação estreita com o personagem. Cristo era real ou fruto da imaginação desses autores? Vamos às evidências:
Se os evangelhos, fossem fruto da imaginação literária desses autores, eles não falariam mal de si mesmos, não comentariam a atitude frágil e vexatória que tiveram ao se dispersar quando Cristo foi preso. Quando ele se entregou aos seus opositores e deixou sua eloqüência e seus sobrenaturais de lado, os discípulos ficaram frágeis e confusos. Naquele momento, tiveram vergonha dele e sentiram medo. Naquela situação estressante, as janelas de suas mentes foram fechadas e eles o abandonaram.
Pedro jurou que não negaria Cristo. Amava tanto seu mestre, que disse que, se possível, morreria com ele. Porém, numa situação delicada, o negou. E não apenas uma vez, mais três vezes, e ainda diante de pessoas sem qualquer poder político. Quem contou aos autores dos quatro evangelhos que Pedro negou Cristo por três vezes diante de alguns servos? Quem contou a sua atitude vexatória, se ninguém do seu círculo de amigos sabia que ele o havia negado? Pedro, ele mesmo, teve coragem de contá-lo. Que autor falaria mal de si mesmo? Pedro não apenas contou os fatos, mas expôs os detalhes da sua negação.
Com quem Pedro, que quando jovem era um rude e inculto pescador, aprendeu a ser tão sincero, tão honesto consigo mesmo, a ponto de falar de suas próprias misérias? Ele deve ter aprendido com alguém que, no mínimo, admirava muito. Alguém que tivesse características tão complexas na sua inteligência que fosse capaz de ensinar Pedro a se interiorizar e a reciclar profundamente os seus valores existências. O Cristo descrito nos evangelhos tinha tais características. Mesmo diante de situações tensas, em uma pequena simulação o livraria de grandes sofrimentos, Jesus optava por ser honesto consigo mesmo. Pedro aprendeu com ele a difícil arte de ser fiel à sua própria consciência, a assumir seus erros e suas fragilidades. O que indica que esse Cristo não era um personagem literário, mas uma pessoa real.
Se os autores dos evangelhos quisessem produzir conscientemente um herói religioso, eles, como seus discípulos, não desnudariam a vergonha que tiveram dele momentos antes de sua morte, pois isso deporia contra adesão a esse suposto herói, ainda mais se fosse imaginário. Este fato representa um fenômeno inconsciente que confirma a intenção dos discípulos de descreverem um homem incomum que realmente viveu na terra.
Quando Cristo foi aprisionado, injuriado e espancado, o jovem João o abandonou, fugiu desesperadamente, juntamente com os demais discípulos. Além disso, João o autor do quarto evangelho, descreveu com uma coragem única a sua fragilidade e impotência diante da dramática dor física e psicológica do seu mestre na cruz (João 19:26).
Quando João escreveu o seu evangelho? Quando estava velho, por volta de 90 d.C., mais de meio século depois que esse fato ocorreu. Todos os apóstolos provavelmente já tinham morrido. Como nessa época alguns estavam abandonando as linhas básicas do ensinamento de Cristo, João, na sua velhice, descreveu tudo aquilo que tinha visto e ouvido. O se espera de uma pessoa muito idosa, que está no fim da sua vida? Que ela não tenha mais nenhuma necessidade de simular, omitir ou mentir sobre fatos que viu e viveu. O velho João não se escondeu atrás de suas palavras. Ele não apenas discorreu sobre uma pessoa (Cristo), que marcou profundamente sua história de vida, como, em sua descrição, também não esqueceu de abordar a sua própria fragilidade. Isto é incomum na literatura. Só tem lógica, um autor expor suas mazelas desse modo se ele desejar retratar a biografia real d um personagem que está acima delas.
As pessoas tendem a esconder suas fragilidades e seus erros, mas os biógrafos de Jesus Cristo aprenderam a ser fiéis à sua consciência. Aprenderam com ele a arte de extrair sabedoria dos erros.
Se Cristo fosse fruto da imaginação dos seus biógrafos, eles não apenas teriam riscado os dramáticos momentos de hesitação que viveram, mas também teriam riscado dos seus escritos a dramática angústia que o próprio Cristo passou na noite em que foi traído, no Getsêmani.
Naquela noite, Jesus mostrou a dimensão do cálice que ia beber, a dor física e psicológica que iria suportar. Se os autores dos evangelhos tivessem programado a criação de um personagem, teriam escondido a dor, o sofrimento de Cristo e o conteúdo das suas palavras. Teriam apenas comentado os seus momentos de glória, os seus milagres, a sua popularidade. A descrição da dor de Cristo é a evidência de que ele não era criação literária. Não viveu um teatro; o que viveu foi relatado.
Eles também não teriam registrado o silêncio de Jesus Cristo quando ele estava diante do julgamento dos principais sacerdotes e políticos. Pelo contrário, teriam colocado respostas brilhantes em sua boca. Durante sua vida, ele pronunciou palavras sábias e eloqüentes que deixavam pasmadas até pessoas mais rígidas. Porém, quando Pilatos, intrigado, o interrogou, ele se calou. No momento em que Jesus mais precisava de argumentos, ele preferiu se calar. Com a sua inteligência, poderia se safar do julgamento. Mas sabia que aquele julgamento era parcial e injusto. Emudeceu, e em nenhum momento procurou se defender daquilo que havia feito e falado em público. Ele apenas se entregou aos seus opositores e deixou que eles julgassem suas palavras e seu comportamento. Ele foi julgado, humilhado e morreu de forma injusta, e os seus biógrafos descreveram isso.
Um abraço.
Vem mais por aí em: Jesus Cristo: um personagem real ou imaginário? (Parte 3)

5 Respostas para “Jesus Cristo: um personagem real ou imaginário? (Parte 2)”

  1. kibom33 Disse:

    Peço desculpas a todos, estou de serviço até as tantas, irei ler todos os comentários e a matéria do Kleber, que transcrevi agora, irei me manifestar a respeito somente amanhã, ou se me sobrar tempo hoje.

    Um abraço a todos!

  2. ivancarlos Disse:

    Oi, Kleber, como suas matérias se complementam entre si, optei por comentar sobre as duas em um único comentário, ok?

    Em alguns dos meus comentários eu enveredo pela linha do esclarecimento semântico ou histórico conforme o assunto exija. Mas não tome isto como um posicionamento professoral, e sim, um ponto de partida para o desenvolvimento do raciocínio lógico. E isto se faz necessário num debate com crentes de qualquer natureza porque, ao que demonstram, aboliram completamente a razão para dar lugar a uma fé cega. Desprovida de conteúdo intelectual.
    Se não, vejamos: você inicia sua matéria partindo de uma premissa falsa “eles escreveram…”, referindo-se a Marcos e Lucas, quando todos os estudiosos agnósticos ou religiosos sabem perfeitamente que eles nada escreveram, apesar de terem sido atribuídos a eles aqueles escritos. E esta refutação vale também, pelos mesmos motivos, para Mateus e João. Todavia, você tem razão quando afirma que Marcos e Lucas sequer pertenciam ao grupo dos doze e que “escreveram” baseados em investigação, e você conhece os perigos de um relato baseado em informações.
    Lucas, supõe-se que fosse médico, porque usou de alguns termos usados em medicina, possuindo certamente boa instrução, do contrário não teria sido aceito como discípulo por Paulo, fariseu bastante orgulhoso e que desprezava os verdadeiros discípulos de Jesus, chamando João e Pedro de ignorantes e de idiotas: (Vulgata-Aprovada por Sixto V e Clemente VIII: “Videntes autem Petri constantiam et Joannis, comperto quod homines essent sine litteris, et idiotice, admirabantur et cognoscebant eos quoniam cum Jesus fuerant” Atos 4, 13), depois nas traduções posteriores os interessados amenizaram os termos, e entrava em constantes atritos com eles (Atos 15, 39: “E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro”).
    Para se fazer uma melhor apreciação de uma obra, preciso se faz conhecer, antes, os seus autores. Ninguém aceitaria sem reservas, uma suposta história do mundo helênico escrita por um pastor ignorante dos montes de Corinto, ou história do Egito, por um desconhecido cortador de pedras das longínquas pedreiras do sul de Tebas. Daí porque, uma corrente muito forte de exegetas bíblicos, admitir Paulo como sendo o “criador” do cristianismo; afirmam inclusive que se Paulo não tivesse existido, o cristianismo talvez não tivesse passado das “portas” do mundo judeu e ali teria sucumbido como tantas outras seitas que surgiram e desapareceram na mesma época.
    Os discípulos de Jesus eram naturais da afastada Galiléia, província pobre e pouco habitada, nos limites da Palestina com a Síria. Betsaida e Cafarnaum não passavam de pequenas aldeias de pescadores que viviam uma economia de subsistência. Estando distantes dos centros mais populosos, o produto das suas atividades não era exportado. Eram atividades de subsistência.
    Os proprietários de pequenas atividades como aquelas, só tinham acesso a parcos recursos de instrução, isso quando possível, e só ministrada pelos sacerdotes, exclusivamente nos locais onde havia templo judaico.
    Para focalizar melhor o ambiente, compare-se com uma aldeia de pescadores nas margens de um lago no interior do nosso país: pequenas choupanas abrigando uma população pobre e ignorante, em constante convivência com as necessidades mais rudimentares e em constante estado de subnutrição. É justamente nesse meio que surgem os curandeiros e feiticeiros milagreiros que conseguem uma certa ascendência entre a população inculta.
    Veja em Goiás, há poucos anos surgiu uma “santa” Manoelina de Coqueiros que atraiu milhares de romeiros; no sertão do Ceará, pobre e inculta região interiorana que a “santidade” do Padre Cícero arrasta milhões de sertanejos ignorantes de diversos Estados, em busca de curas milagrosas.
    Na opinião desses pobres romeiros, tanto a Manoelina de Coqueiros quanto o “Padinho Padi Ciço”, são verdadeiramente santos e proclamam seus milagres com a mesma convicção com que os cristãos acreditam nos milagres de Jesus e dos Santos, convicções estas, exploradas por sacerdotes e pastores que enriquecem à custa dessas pessoas.
    No Rio de Janeiro, numa pequena localidade chamada Porto das Caixas, toda a economia local gira em torno de uma imagem que milagrosamente “chora com lágrimas de verdade ou de sangue”. Se, no local, alguém disser que aquilo é uma farsa, certamente será linchado pelos devotos fanáticos.
    Foi em ambientes como esses que surgiram Jesus (?) e os seus discípulos. Pedro e André estavam lançando suas redes quando um estranho se aproxima e os convida para saírem juntos, e perambularem sem destino certo. A pesca não era rendosa senão o suficiente para que não morressem de fome, portanto, seguir um estranho ser-lhes-ia indiferente, pois a alimentação parca em qualquer circunstância seria obtida.
    Será que, realmente, somos nós agnósticos que não fazemos uma análise inteligente sobre o assunto?
    Por isso, você também tem razão quando afirma que os autores (os verdadeiros) “que eles não tinham intenções conscientes e inconscientes de fundar uma filosofia de vida, de promover um herói político, de construir um líder religioso, nem de criar um homem diante do qual o mundo deveria se curvar”, aliás, isso também foi o foco da nossa matéria REESCREVENDO A HISTÓRIA (Jesus homem – Parte 4). Tudo o que chegou até nós sobre Jesus, nos moldes que se conhece hoje, surgiu posteriormente, e foi endossado e imposto a “ferro” e “fogo” pela Igreja Romana.

    Para finalizar, um esclarecimento semântico.
    Do Aurélio, Agnosticismo: Doutrina que declara o espírito humano incompetente para conhecer o absoluto; afirma a impossibilidade de conhecer a natureza última das coisas; afirma a impossibilidade de conhecer a Deus e a origem última do Universo.
    Ateísmo: Doutrina que consiste na negação da existência de Deus.
    Portanto, dois significados bastante distintos, por isso nós, agnósticos, questionamos as pessoas que se julgam capazes de afirmar que “conhecem” Deus, que “conversam” com ele, que dele recebem dádivas, etc. etc.

    Um abraço, aguardamos a parte 3. Não desanime, isto é só o começo.

  3. kibom33 Disse:

    Vou aguardar a parte 3 para fazer um comentário completo, mas não irei discutir os argumentos evangélicos, o que sempre coloco em posição, tudo muito bem, mas então onde estão as maravilhas colocadas a provas pelas escrituras, volto a dizer quanto a fatos não há argumentos, e o que não vejo são fatos.
    Agora me dizer que alguem deixou de ser mentiroso, e isso foi um milagre, ai não dá para debater mesmo.

    Mas farei meu comentário no final da proxima parte.

  4. KLEBER RAMÍREZ Disse:

    Ok. Ivan e KIBOM33.
    Não desanimarei quanto a parte 3 deste documentário.
    Quanto deixar de ser mentiroso, KIBOM33, para mim, reconheço isto, que era difícil o contrário, não só mentir, como eliminar todas as mazelas que existiam na minha natureza pecaminosa.
    Mas uma vez, conhecendo Jesus Cristo, recebendo ele no meu coração, se cumpriu aquilo que ele afirmou.
    “Eu sou a videira verdadeira, e meu pai o agricultor, e vós sois o ramo. Se o ramo não estiver na videira, não poderá dar fruto”. e também disse:
    “sem mim, nada podeis fazer”.
    Foi nestas palavras, que encontrei esta transformoção em minha vida.
    Digo, que tentei com todas as minhas forças, para não praticar tais coisas, mas nunca consegui, exceto com a ajuda DELE.
    Sem contar que eu era o cara mais safado que tinha no planeta.
    Enganava, mentia, traia, etc.
    Um abraço.
    Kleber Ramírez

  5. mayara oliveira. Disse:

    Sim,acredito muito.

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