OU PODEM SER LUCRATIVOS?
Em 2008, gravadoras admitem que querem saber o que você baixa. Empresas como BigChampagne entregam de bandeja dados sobre bilhões de downloads.
Num mundo onde para cada música comprada nas lojas outras 20 são baixadas ilegalmente, as gravadoras resolveram usar esse dado a seu favor. Valendo-se de serviços que compilam estatísticas dobre pirataria musical on line, elas sabem onde, quando e quantas vezes o novo hit de um artista foi baixado, inclusive os gostos de quem baixou. Com isso na mão, fica mais fácil programar lucrativamente shows, turnês conjuntas e lançamentos regionais dessa ou daquela música.
Para Eric Garland, executivo do BigChampagne, que destrincha o caminho de 7,5 bilhões de MP3 por ano, não há conflito ético em se beneficiar dessas informações. “As montadoras também, analisam as cores e os modelos dos carros mais roubados. É a mesma coisa. Não há porque ter vergonha” disse Garland. Ele conta que seu negócio é lucrativo há 9 anos, mas que os clientes evitavam falar sobre isso para não complicar os processos que moviam contra donos de MP3 ilegais. “Essa fase acabou. Hoje as gravadoras vêem os fãs de música grátis como potenciais consumidores de outros produtos.”
O cantor e compositor Raymundo Fagner, entre outros, também se declarou partidário da pirataria musical, uma vez que auxilia na democratização da cultura, bem como, obrigou as gravadoras a reverem os preços abusivos dos CDs, por elas praticados.
Uma breve história do download gratuito de música: O Napster foi o primeiro “baixador” a bombar na rede, em 1999. Quando fechou, em 2001, seus fãs foram para o Audiogalaxy, cuja busca funcionava na web mesmo, sem software específico; o KaZaa, que depois virou um “pulgueiro” de spam e o Soulseek que até hoje preza seu status e repertório alternativos. A partir de 2004 impera o BitTorrent, no qual o download é solidário: cada usuário cede uma parte, atraída por um “imã” chamado torrent. O LimeWire e o eMule também usam torrents; o pessoal costuma variar entre programas, cujas redes costumam sair do ar sem prévio aviso. Hoje, a “modinha” é baixar arquivos de sites específicos, que se valem de servidores como o alemão RapidShare. Há torrents de filmes, games e séries, todos estão no portal sueco Pirate Bay que até tentou comprar um “micropaís”, onde suas atividades seriam legais.


















